O Peso Da Palavra

20/01/2016 | Por Angela Maria Aly Cecilio
Hoje, após receber a notícia da morte de David Bowie, recebo uma mensagem de desagrado a esta notícia reforçando a perda do ídolo para esta doença maldita.

Isto sempre me instiga a fazer uma reflexão sobre a nossa terminalidade e o quanto o Câncer ainda hoje fica numa redoma de medo, de falta de atenção ao nosso “ way of life”, a nossa descrença aos bons hábitos e a má conduta diante deles. Me parece que é uma palavra que encarcera e que domina as pessoas ainda nesta aura de negatividade.

Interessante como ainda hoje a referência ao Câncer se faz de forma pesada, trazendo uma sensação para os pacientes e familiares de um soco no estômago, uma parada para a vida, um desafeto. E a reação ainda diante da possibilidade desta doença “ruim ou maldita” derruba toda a hipótese de cura.

Então, me permito fazer a seguinte pergunta: existe alguma doença BOA? E as doenças crônicas, incapacitantes, degenerativas, em que grau estão na classificação? E quanto aos portadores de doenças crônicas que se submetem a controles de alimentação e medicação, serão eternos?

Para mim, que sou uma sobrevivente de um Câncer de Ovário, sinto que diante do diagnóstico, o que nos faz caminhar é o enfrentamento da doença. Não quero ser ingênua nem tampouco Poliana, de que tudo são flores, mas a possibilidade de um encontro direto com os nossos outros eus cresce, pois precisamos exercitar diariamente a nossa dose de esperança e de envolvimento. Trabalhar a nossa saúde mental e espiritual será de muita valia para que a nossa saúde física se restabeleça.

O questionamento descompromissado e verdadeiro do sentido da Vida, de nossa essência, nos traz uma certa tranquilidade para que estabeleçamos uma relação de compromisso pessoal de forma integral.

Na minha experiência, o que posso dizer é que não penso no que vai dar, e o quanto ainda tenho para caminhar. Aí sim concordo que a palavra Câncer nos remete à finitude e que tal qual em um treino de tênis, somos lançados ao paredão.

Diante desta situação, só me resta ter um olhar mais carinhoso e generoso para comigo, procurar estar mais atenta aos sinais que meu corpo emite e deixar a Vida Fluir de forma mais leve, intensa e fiel aos meus preceitos - afinal somos uma centelha divina.

Sigo em frente com uma dose de otimismo que me permite ser feliz, curtir minha família, meus filhos e netos muito amados, meus amigos de todo sempre, fazer da cerâmica uma interpretação do que o “ barro” quer dizer, e do projeto Ilumina, que abracei, e que cada vez mais trabalhe na prevenção do Câncer e na desmistificação da palavra. Mesmo porque é a nossa realidade neste século 21.

Assim, o que importa não é o motivo pelo qual David Bowie tenha morrido, mas sim a história de um artista de vanguarda que transformou o seu tempo.


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